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  • Foto do escritorCaroline A. Pinheiro da Costa

Aprofundando a compreensão sobre o Tantra Yoga II

Significado do nome em sânscrito: Trama, teia, instrumento de união de sabedorias Tan: "sabedoria"  Tra: "instrumento" 

Origem

  • Tantra, ou Tántrika, é uma filosofia comportamental originária do período dravídico e pré-dravídico. Os dravidianos ou drávidas são grupos étnicos que falam qualquer dos idiomas de uma grande família linguística não indo-europeia no sul do subcontinente indiano. Os dravidianos são uma das populações mais antigas do sul da Índia, Paquistão, Afeganistão, Nepal, Maldivas, Bangladesh e Sri Lanka.

  • Existem três fases históricas do Tantra: 1 - a mais antiga, do período Pré-Clássico, dravídico; 2 - a Clássica, adaptada aos costumes arianos; e 3 - a Medieval, marcada intensa produção literária, a partir da qual temos acesso hoje em dia. As duas primeiras fases foram influenciadas pela filosofia Sámkhya; enquanto a última fase, pelo Vêdánta.

  • Muitas práticas dravídicas foram expressas num variado simbolismo, fazendo com que o Tantra tomasse parte importante na formação do hinduísmo.

  • Os textos tântricos surgiram na Índia, aproximadamente, entre os séculos I.V d.C. e VIII d.C. Durante esse período, tiveram tanta força que influenciaram outras filosofias, artes, ciências e religiões. Por isso, é freqüente encontrarmos escritores que, ao discorrerem sobre o Tantra falam dele como tendo nascido durante esses quatro séculos. Foi nessa época que surgiram os primeiros documentos escritos em papel, conquanto a tradição tântrica já existisse milênios antes de ser registrada em livros.

  • O Tantra ressurgiu no período medieval bastante marcado por uma linguagem devocional e influenciado pelo espírito religioso da época. Por isso, quase toda a literatura tântrica é marcada por tais características.

  • Durante a sua evolução histórica, o tantrismo ultrapassou as fronteiras da Índia, seu local de origem. Podemos observar a sua influência na China, no Tibet e no Camboja, onde foi incorporado pelo budismo, lamaísmo e taoísmo, respectivamente.

  • Há mais de quinhentos Tantra Shastra[1]. Que são obras que se destacam por excessivo ritualismo e grande complexidade literária, difícilmente compreendidas nos dias atuais. Não nos esqueçamos que a linguagem utilizada para transcrever esse tema foi desenvolvida dentro de uma sociedade brahmáchárya (extrema conservação da energia sexual), ainda por cima na Idade Média, logo, vêdantizada (baseada nas escrituras dos Vedas).

  • Finalmente, tudo foi traduzida para o inglês, e interpretado sob uma inegável influência cristã.

Como os valores do Tantra guiam as nossas práticas de Yoga

  • O que mais caracteriza os povos antigos, dravídicos e pré-dravídicos da Índia, é a relevância da mulher no contexto social. As divindades femininas do hinduísmo, as shaktís, simplemente representam a forma mitológica e simbólica daquela sociedade matriarcal primitiva.

  • A palavra Shaktí significa energia ou força. Pode ser interpretada sob três aspectos. O primeiro, popular, é simbolizado pelas imagens e expressado na devoção às divindades femininas do panteão hindu, tais como Saraswatí, Lakshmí, Kalí, Parvartí, etc. Nesse aspecto, a Shaktí é conhecida como a mãe divina: aquela que gera, nutre e protege.

  • O segundo aspecto se refere à própria mulher, como esposa ou companheira. Por último, ela diz respeito à energia adormecida em cada ser humano, chamada kundaliní.

  • Por força do matriarcalismo tântrico, evidenciam-se as outras duas características: a sensorialidade e a desrepressão.

  • O comportamento tântrico está muito relacionado à uma isenção de censura ou sentimento de culpa, um condicionamento cultural da sociedade brahmáchárya que dá valor, principalmente, à castidade.

  • No judaísmo, cristianismo e islamismo, por exemplo, a evolução interior só pode ser obtida pelo sofrimento e pelo controle dos impulsos, desejos e sentimentos. Ao contrário, a cultura tântrica, provavelmente a única desse tipo no mundo, demonstra que a espiritualidade pode ser desenvolvida através da desrepressão e do prazer.

  • Uma máxima tântrica diz: “quando caímos ao chão, levantamo-nos com o auxílio do chão”. Tal afirmação é dirigida especialmente aos opositores do Tantra, os quais dizem que para atingir a espiritualidade deve-se negar o corpo.

  • Para os tântricos, se a Natureza nos dotou de instintos, emoções e sentidos, conseqüentemente, tudo o que tenha a ver com isso deve ser plenamente vivenciado e valorizado, transformando-se numa eficiente ferramenta de evolução.


Unindo Tantra, Yoga e iluminação (despertar)

  • A sexualidade é fundamental no processo evolutivo do Yôga.

  • Kundaliní traduz-se por serpentina ou enroscada.

  • Ela é uma energia física, de natureza nervosa e manifestação sexual.

  • Dentro da psicologia ocidental, o termo libido pode designar diferentes aspectos dessa energia. Ocorre que, como ela está associada ao sexo, aqueles que trazem uma herança cultural judaico-cristã, impregnada de culpa e pecado, têm medo de trabalhar essa força.

  • A kundaliní é imprescindível na tradição hindu, tanto na corrente tântrica, que se utiliza do sexo, quanto na corrente brahmáchárya, celibatária.

  • Usando a terminologia do shaktismo, kundaliní é a Shaktí individual que, como uma serpente de fogo, está enroscada três vezes e meia em torno do lingam (falo), na base da sushumná.

  • E, estando em sono profundo, essa serpente poderá ser despertada através das técnicas yôgis, tais como pránáyáma, bandha, ásana, dhyána e outras técnicas ensinadas por um Instrutor formado e competente.

  • O que conduz o praticante à evolução é a Shaktí kundaliní.

  • O Mestre dá o impulso inicial para que o discípulo se exercite e, finalmente, possa realizar a união tântrica Shaktí-Shiva no sahásrara chakra.

  • Portanto, somente através das práticas é que o discípulo poderá ativar sua energia latente, a kundaliní, que o conduzirá ao estado de samádhi.

  • Quando tal energia se potencializa, a consciência torna-se familiar com a Mãe-real, a kúlakundaliní. Despertada, ela ascende pela sushumná, podendo ir até o sahásrara chakra.

  • Segundo Pátañjali, principal codificador do Yôga Clássico, a meta do Yôga é o samádhi (iluminação), logo, sem kundaliní não há Yôga.

Texto fonte de inspiração e referência para o post: http://www.mestresergiosantos.com.br/index.php/etica-35/tantra-e-yoga

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